Diario de um Campuseiro 001

A Campus Party Natal foi uma experiência surreal, que superou expectativas, muito aprendizado por todos os lados, a cada atividade que o participante realizava era possível aprender um pouco sobre algo. Quem estava participando do evento pela primeira vez, teve a oportunidade de se descobrir apaixonado por uma ou mais das muitas áreas ali apresentadas nos campos de robótica, software, empreendedorismo, entre outros. O campuseiro mais antigo, encontrou no evento tudo o que é esperado de uma Campus Party, além de um público acolhedor, simpático e alegre. Os palestrantes estavam sempre solícitos dentro e fora das palestras/workshops tirando dúvidas e compartilhando experiências, fato este que aproximou muito o público e estreitou os laços entre o evento e o público.

 

A Oficina de Chão nos apresentou robótica através de uma nova perspectiva que estimulou a nossa criatividade e ensinou novos conceitos, onde o importante não é se você tem um vasto conhecimento de robótica, mas sim, como você aplica o conhecimento que tem. Tudo isso de uma forma leve, divertida e didática.

 

O intuito da nossa equipe foi utilizar o conhecimento adquirido na oficina e aplicar no nosso projeto, o tema do projeto acabou se tornando “Aprender robótica é fácil” e a proposta foi ensinar conceitos básicos eletrônica através do nosso robô com base nas experiências compartilhadas pelos mentores durante a palestra. Tomamos como base para ensinar robótica a metodologia adotada pelos mentores para explicar o funcionamento de um motor elétrico.

 

A metodologia consistia em explicar a seguinte situação:

 

O motor elétrico possui duas portas (pinos/conectores) para alimentação elétrica, pelas quais a energia pode entrar ou sair do motor.

Suponhamos que existe um veículo que possui um motor elétrico e que a interface que o motorista dispõe para dirigí-lo são as duas portas de alimentação do motor e três fios que para a alimentação do motor, dois positivos e um negativo.

 

Enquanto não houver alimentação elétrica no motor não realiza nenhuma ação, análogo a um carro, o veículo permanece em neutro/ponto morto. Caso estivesse em uma rampa, a gravidade faria o veículo se deslocar em relação ao lado mais baixo da rampa.

 

Ao conectar um fio POSITIVO na PORTA 01 e o fio NEGATIVO na PORTA 02 o motor gira em sentido horário, fazendo veículo se deslocar para frente.

 

Ao conectar o fio NEGATIVO na PORTA 01 e um fio POSITIVO na PORTA 02 o motor gira em sentido anti-horário, fazendo o veículo se deslocar para trás.

 

Ao conectar um fio POSITIVO na PORTA 01 e o outro fio na POSITIVO PORTA 02 o motor permaneceria parado, análogo a um carro, o veículo permanece com o freio de mão ativado. Caso estivesse em uma rampa, o veículo poderia permanecer parado.

 

O material disponibilizado para a execução do projeto foi: 1 Arduino UNO, 1 ponte H, 2 motores elétricos com caixas de redução, 2 rodas, 1 fonte alimentação portátil, 5 LEDs, fios e o conhecimento adquirido durante a oficina.

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Concebemos o Edu (abreviação de Educando) a partir do tema que “ensinar robótica é fácil”, no robô haviam quatro terminais para a alimentação dos motores, dois de cada lado próximos aos seus respectivos motores, fios com conectores que forneciam alimentação para os motores e um “controle manual” que poderia ser utilizado após as conexões com os terminais serem feitas. Ao conectar os fios aos terminais, LEDs acendiam, indicando a direção que cada motor iria girar – com o robô parado, aguardando as instruções do controle manual. Desse modo, quem estivesse utilizando o controle poderia saber direção em que o robô iria se mover antes de executar qualquer comando.

 

O design do Edu foi inspirado em uma experiência compartilhada pelo Casemonstro chamada “marmita”, seu comando manual foi inspirado em outra experiência compartilhada, sobre um trabalho para a rede Globo de televisão (entre em contato com ele para mais detalhes).

 

Nas últimas horas antes da apresentação dos projetos, tivemos uma decisão muito difícil de ser tomada, principalmente para mim como programador, uma decisão que poderia colocar em risco a pontuação do projeto em relação aos demais na competição.

Resolvemos abrir mão da codificação, para que o projeto ficasse o mais simples possível e com fácil absorção do aprendizado aos olhos de quem estava aprendendo eletrônica pela primeira vez. Utilizamos o Arduino apenas para a alimentação elétrica. Desse modo, ficou mais fácil para o público entender como tudo, naquele pequeno circuito eletrônico, funcionava.  

 

Confesso que não competimos vislumbrando o primeiro lugar, nas outras equipes haviam professores, alunos de cursos relacionados à robótica e entusiastas, ninguém da nossa equipe era íntimo de tal realidade, queríamos apenas construir algo digno do conhecimento que nos foi oferecido e o fizemos, com seriedade e dedicação. Quando foi anunciado que nós havíamos ganhado em primeiro lugar, o sentimento foi indescritível.

 

Um recado para você, leitor:

 

Sou Analista de Sistemas, trabalho apenas com software e não costumo ter muito contato com hardware, meu conhecimento sobre eletrônica é básico, fruto de mera curiosidade através dos anos. Nunca havia tido contato com o hardware do Arduino ou com a sua programação antes dessa Campus. A Oficina de Chão me apresentou uma nova perspectiva para enxergar o mundo no qual estamos inseridos, que não devemos nos limitar apenas ao que sabemos pois as possibilidades são muitas, basta escolher que caminho seguir.

Por último e não menos importante, gostaria de agradecer ao Alexandre (Casemonstro), que é uma pessoal incrível, por todo o carinho e atenção que nos foi dado. Abriu mão de seu descanso e “tempo livre” para acompanhar e ajudar mais de 70 pessoas que participavam da oficina. Mesmo cansado, estava sempre solícito e com um sorriso no rosto, compartilhando conhecimento e ajudando no nosso crescimento pessoal e intelectual. Obrigado por todas as lições aprendidas, elas foram além da robótica.

 

Ass. Zeca Carvalho – Campuseiro

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